SEO morreu? Ou estamos entrando na era da relevância para IA?

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Uma conversa com Malu Melo e Fabio Oliveira sobre comportamento de busca, conteúdo e o futuro das marcas digitais

Durante muitos anos, produzir conteúdo era quase sinônimo de otimizar para Google. Estratégias de SEO dominaram planejamentos, blogs, títulos e estruturas de sites inteiros.
Mas o avanço das inteligências artificiais começou a criar uma nova dinâmica: as pessoas não estão apenas pesquisando. Elas estão perguntando.
Ferramentas como ChatGPT, Gemini e Perplexity começam a se tornar intermediadoras da informação. E isso muda profundamente a forma como conteúdos são encontrados.
Conversamos com Malu Melo e Fabio, diretores da Saatis, sobre essa transformação e sobre como empresas podem se preparar para esse novo comportamento digital.

“Encontrei vocês pelo ChatGPT.” Foi isso que um prospect disse recentemente para vocês. Como vocês interpretaram esse momento?

Fabio:
Foi uma fala simples, mas que me marcou muito.
Porque ela materializa uma mudança que há algum tempo estamos observando no comportamento digital. Antes, o caminho era relativamente previsível: alguém fazia uma pesquisa no Google, analisava algumas opções e acessava um site.

Hoje, muitas pessoas começam pela IA. Elas querem respostas mais rápidas, mais organizadas e mais contextualizadas.
Quando um prospect fala que encontrou a empresa pelo ChatGPT, isso mostra que o conteúdo da marca já está atravessando uma nova camada da internet.
E honestamente, acho que muita empresa ainda não percebeu o tamanho dessa mudança.

O que está mudando no comportamento de busca?

A mudança talvez não esteja apenas na tecnologia, mas na expectativa das pessoas.
Durante anos, fomos treinados a procurar informações navegando entre dezenas de links. Agora, cada vez mais usuários esperam receber uma resposta pronta, contextualizada e resumida. Eles não querem apenas encontrar informação. Querem compreender rapidamente o que é mais relevante.
Esse comportamento faz com que as marcas precisem pensar não apenas em aparecer nos resultados de busca, mas em se tornar fontes confiáveis dentro dos ecossistemas de IA.

Isso significa o fim do SEO tradicional?

Malu:
Não! E é importante ser enfático aqui, até para que não reste dúvidas.

SEO continua extremamente importante.

A questão é que agora existe uma evolução da lógica de busca.

Antigamente, muitas estratégias eram focadas em agradar mecanismos de indexação: palavra-chave, densidade, título e backlinks.

Tudo isso continua relevante. Mas agora também precisamos pensar: esse conteúdo é compreensível para uma IA?

A IA precisa entender contexto, autoridade, relação semântica, clareza e estrutura da informação.

Então não é uma substituição. É uma expansão.

Do SEO ao GEO: uma evolução, não uma ruptura

Nos últimos meses, termos como GEO (Generative Engine Optimization) começaram a ganhar espaço no mercado. Embora o conceito ainda esteja amadurecendo, a lógica por trás dele é simples: conteúdos precisam ser encontrados não apenas por mecanismos de busca tradicionais, mas também por mecanismos generativos.
Na prática, isso significa que qualidade editorial, profundidade e contexto passam a ter ainda mais peso.
O conteúdo deixa de competir apenas por posição e passa a disputar relevância.

O que muda na prática na produção de conteúdo?

Fabio:
Muita coisa.

A estrutura passa a ter ainda mais importância.

Hoje trabalhamos pensando em conteúdos mais organizados, perguntas claras, respostas objetivas, profundidade contextual, conexões semânticas e blocos que façam sentido isoladamente.

Além disso, existe uma preocupação maior com consistência entre canais. A IA lê o ecossistema digital da marca. Não apenas uma página isolada.

O conteúdo precisa ser fácil para humanos e para máquinas

Existe um equívoco comum de acreditar que otimizar para IA significa escrever para robôs.

Na verdade, acontece justamente o contrário.

Os conteúdos que tendem a ser melhor interpretados pelas inteligências artificiais costumam ser aqueles que também oferecem uma experiência melhor para o leitor humano. São materiais claros, bem estruturados, aprofundados e capazes de responder dúvidas reais. A tecnologia muda, mas a boa comunicação continua baseada nos mesmos princípios.

E isso muda também a forma como as empresas constroem autoridade?

Malu:
Totalmente. Antes, muitas empresas pensavam autoridade como presença.

Agora autoridade começa a ser também interpretação. Não basta estar online. A marca precisa ser reconhecida como fonte confiável.
E isso exige um conteúdo menos superficial.

Acho que entramos em um momento em que conteúdo genérico tende a perder força muito rápido. Porque a IA consegue sintetizar o básico. Então o que ganha valor é repertório, visão, profundidade, experiência prática e análise.

A nova moeda da internet pode ser a confiança

Durante muito tempo, volume foi confundido com autoridade. Publicar mais significava aparecer mais.
Mas o avanço da IA pode acelerar uma mudança importante: o que passa a diferenciar marcas não é apenas a quantidade de conteúdo produzido, mas a qualidade das respostas que elas oferecem.

Nesse cenário, experiência prática, posicionamento, estudos de caso e visão estratégica ganham ainda mais relevância.

Existe muito exagero quando falam sobre GEO e otimização para IA?

Fabio:
Existe um pouco, sim.

Ainda estamos em uma fase de adaptação. Muita coisa está sendo testada pelo mercado. Mas também seria um erro ignorar o movimento.

Hoje já existem padrões aparecendo: conteúdos bem estruturados, contextuais e objetivos tendem a ser melhor interpretados pelas IAs.

Então talvez o mais inteligente agora não seja entrar em pânico nem seguir fórmulas mágicas.

É começar a adaptar a construção de conteúdo com inteligência.

Qual vocês acreditam que será a principal diferença entre marcas fortes e marcas invisíveis nos próximos anos?

Malu:
Capacidade de construir relevância real.

A internet passou muitos anos premiando volume.

Agora talvez ela comece a premiar entendimento.

E isso muda tudo.

Porque não será apenas sobre quem publica mais, mas sobre quem consegue ser útil, confiável e coerente o suficiente para ser reconhecido como referência, inclusive pelas inteligências artificiais.

O futuro provavelmente será híbrido

Google não vai desaparecer. SEO não vai desaparecer. As pessoas continuarão pesquisando.

Mas a forma como elas descobrem marcas, produtos e soluções está se transformando.

As empresas que compreenderem essa mudança mais cedo terão uma vantagem importante: estarão construindo autoridade não apenas para os algoritmos de busca, mas também para os sistemas que cada vez mais ajudam as pessoas a tomar decisões.

E, no fim das contas, talvez essa sempre tenha sido a essência do marketing: estar presente no momento em que alguém procura uma resposta.

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